LANÇAMENTO EM BREVE!

CAMINHOS E

DESCAMINHOS

UM GUIA DA SERRA DOIS IRMÃOS

 

LUIZ CARLOS DOS SANTOS

Luiz Carlos dos Santos, o caboclo de casco, autêntico filho da Viçosa das Alagoas, torrão em que, segundo o memorável historiador Alfredo Brandão em seu precioso livro: Viçosa de Alagoas - O Município e a cidade, 1914 -, foi habitado no início pelos índios caambembes, povo indígina dos caetés, que viviam em guerra encarniçada contra os cariris de outro povo indígina da nação tapuia, oriunda da caatinga do Sertão. Disputavam os nativos as excelentes terras, ricas em matas, frutos, caças e cursos d’água, onde em cujas margens habilmente dançavam seus rituais. Bardos a quem cabia inicialmente a tarefa de acompanhar os guerreiros caetés incitando-os ao combate, mas que, após uma reviravolta evolutiva, passaram a defender, diante das opções estratégicas de luta agressivas e destrutivas, o protagonismo do espírito criativo e da resistência pacífica. Alfredo Brandão afirma que caambembe é a currutela de caamemby, que significa em tupi, “mato de gaita ou de flautas”, instrumento muito usado pelos índios. Daí a aceitação dos conjuntos de pífano, uma espécie de flauta, entre a população local. 

Como a maioria da população brasileira, o conterrâneo Luiz Carlos é sem sombra de dúvidas um vencedor, filho de agricultores e através da educação - real instrumente de mudança social - superou honestamente os inúmeros obstáculos enfrentados para se firmar de forma imponente no mundo em que o Professor Milton Santos descreve em sua obra - Pensando o espaço do homem, 1982 -, como técnico-científico-informacional, que norteia a sociedade contemporânea, fundamentada no processo de globalização da economia e que tem como alicerce o sistema capitalista, cujo objetivo principal é a obtenção incessante do lucro a mercê das grandes desigualdades sociais  e da exploração do homem pelo próprio homem. O Caboclo de Casco, professor, pesquisador, explorador nato dos recantos de sua terrinha e agora escritor é convicto em propagandear exaustivamente as riquezas históricas e torna-se também um aventureiro científico nos presenteando com sua primeira obra - CAMINHOS E DESCAMINHOS: UM GUIA DA SERRA  DOIS IRMÃOS -, levando, mesmo de forma amadora e espontânea mas, com requintes de admiração, paixão e amor do homem da terra, o leitor a um verdadeiro tour fotográfico pelos vales das trilhas e campings realizados incansavelmente a quase duas décadas na região geográfica Serrana Estrutural do Planalto da Borborema, onde localizam-se o Morro do Cuscuz, na Serra Velha ou Serra do Bananal, ponto culminante com aproximadamente 567 metros; a Serra dos Dois Irmãos com 506 metros e 502 metros e que segundo o saudoso e admirável, eminente geógrafo alagoano e professor Ivan Fernandes Lima em seu livro - Geografia de Alagoas,1965 -, descreve geograficamente como um conjunto formado por dois pães-de-açúcar, onde no seu lado norte abre-se o canyon do rio Paraíba do Meio, que desce na frente da escarpa; a Serra dos Mamões ou Serra da Rosa com 448 metros e a Serra Alegre com 370 metros, conforme a Carta Topográfica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE - Região Nordeste do Brasil - Folha Viçosa SC.24-X-D-III-4, MI-1524-4. Rio de Janeiro, 1985 - Escala 1: 50.000 com equidistância de curvas de nível de 20 metros. Essas elevações estão localizadas próximas à divisa com o município de Cajueiro.

Por sua privilegiada topografia, essa região foi refúgio de negros fugidos da escravidão e fazia parte dos domínios do Quilombo dos Palmares, que se espraiava de seu núcleo principal, dos vales do Paraíba e do Mundaú, até os limites de Pernambuco. Como os aborígines, os negros palmarinos também aproveitavam as ricas matas que lhes ofereciam fácil meio de subsistência e abrigo contra os inimigos, pois o acesso era difícil para quem não conhecia suas exíguas trilhas na floresta. Após a derrota de Zumbi e de seus seguidores dos Palmares, as terras onde hoje se encontra Viçosa foram entregues a um integrante das tropas do bandeirante Domingos Jorge Velho, o capitão André Furtado de Mendonça. Negros e mestiços que haviam se passado para o lado dos paulistas na guerra continuaram a viver nos mocambos de Sabalangá, Mata Escura e Barra do Caçamba, que depois se transformaram em pequenos povoados. O Sabalangá é um dos mais antigos povoamentos de Viçosa cujo nome é composto de duas palavras de origem africana: zala, “agrupamento de casas”, e Banga, monte identificado como a atual Serra dos Dois Irmãos, onde, embora ainda não se tenha informações precisas, alguns historiadores supõem que Zumbi teria vivido seus últimos anos até a morte em 20 de novembro de 1695. Aí teria sido o palco de sua morte em batalha, onde se instalara o quilombo que foi o último reduto de luta dos negros por sua liberdade.

Assim sendo, CAMINHOS E DESCAMINHOS: UM GUIA DA SERRA DOIS IRMÃOS é um magnífico livro composto de um acervo fotográfico muito rico em imagens inimagináveis nunca vistas antes, um vislumbre pela lente de um explorador sobre a região em questão, um verdadeiro guia para os amantes do turismo local, resultado de incansáveis excursões de observações e pesquisas sobre a paisagem histórico-natural, uma grande amostra do que claramente poderá realizar sobre ecoturismo sustentável. Dessa forma, o autor fica compromissado com a continuidade de produção de futuras obras, em especial, relacionadas ao turismo e ao meio ambiente, contribuindo intelectualmente ainda mais com a apropriação da história pelo povo de Viçosa das Alagoas.

Como escreveu o chileno, considerado um dos mais importantes poetas da língua castelhana do século XX e cônsul do Chile na Espanha e no México Pablo Neruda: “Se não escalar a montanha você nunca poderá apreciar a vista”. Segue teus sonhos, caro amigo Luiz Carlos, o Caboclo de casco.

 

Paulo Lourenço da Silva

Professor de Geografia, SEDUC/AL