“NEGRAS NÓS SOMO,

SÓ NÃO TEMO O PÉ NO TORNO”:
A IDENTIDADE NEGRA E DE GÊNERO EM CONCEIÇÃO DAS CRIOULAS, CONTENDAS/TAMBORIL E SANTANA-PE

MARIA APARECIDA DE OLIVEIRA SOUZA

“Negras nós somo, só não temos o pé no torno”: a construção da identidade negra e do gênero em Conceição das Crioulas, Contendas/Tamboril e Santana-PE. Essa é uma frase da entrevista de Dona Maria Emília retirada do Relatório de Identificação da Comunidade Negra de Conceição das Crioulas cuja antropóloga responsável foi Vânia Rocha F. de P. Souza. Essa entrevista sintetizou a construção de uma identidade negra, a vivência de uma negritude, desvinculada da escravidão, que mais claramente assim se expressou: “minha vó sempre dizia nós somos pobres e negras como somo, só num temos é o pé no torno, quer dizer que o pé no torno é a negra cativa...”. (Apud SOUZA, 1988, p. 25) Nesse sentido, é interessante apreender a partir desse fragmento a auto-identificação da identidade negra. Porém, é importante questionar essa identidade, tendo em vista que ela é também fruto de uma construção social. Porque há a necessidade de alguns sujeitos assumirem determinadas identidades? Quando e como foi inventada essa categoria “negro/negra”? Porque alguns sujeitos precisam ser identificados pela cor e outros não? Essas são interrogações que buscaremos responder no decorrer desta pesquisa. Tomando como questionamento central a ideia de quem, afinal, “somos nós”? Qual é o meu lugar? Para esta população o que está em jogo é “a possibilidade de ocupar um novo lugar na relação com seus vizinhos, na política local, diante dos órgãos e políticas governamentais, no imaginário nacional e, finalmente no seu próprio imaginário” (ARRUTI, 1997, p. 82). 

ISBN: 978-65-87192-13-0

314 PÁGINAS

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