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DE PRINCESA A NEW YORK

A história da Revolta de Princesa (PB)

contada a partir das notícias do

jornal The New York Times

HESDRAS SÉRVULO SOUTO DE SIQUEIRA CAMPOS FARIAS

Desde muito cedo sempre tive um gosto apurado para tudo que dizia respeito ao sertão, ao pajeú, ao nordeste. Nasci e me criei num chão rico de história e de cultura. Nascer no sertão do pajeú é mais que obra do acaso, é um verdadeiro privilégio. Esse amor pelo lugar, esse apego pela cultura, pelas lendas, pelos causos, pela culinária e pelo povo me tornou um eterno apaixonado por tudo que está circunscrito ao que chamamos de sertão nordestino. A primeira vez que entrei em contato com a história da Guerra ou Revolta de Princesa foi no ano de 2013, 83 anos após o ocorrido, através do livro A Heróica Resistência de Princesa, escrito por José Gastão Cardoso, dado a mim por Paulo Medeiros Gastão, que viria se tornar um dos meus melhores amigos e incentivadores nas pesquisas devotadas ao sertão nordestino. A partir desse livro descobri esse evento que sacudiu o sertão paraibano em 1930, que ocorreu bem próximo ao meu local de nascimento, mas que nunca tinha ouvido falar. Comecei a ler e pesquisar mais sobre esse episódio e quanto mais descobria mais gostava do assunto. Causou-me uma certa indignação por não ter estudado isso na escola. É curioso o nosso modelo de ensino da história, onde priorizamos o aprendizado sobre a guerra dos Hicsos contra os Egípcios, sobre a Guerra do Peloponeso, as Guerra Púnicas, a fundação e a queda de Roma, as Cruzadas, as guerras do século XX e tantas outras mais. Todavia, não ensinamos e aprendemos nas escolas do Brasil sobre, por exemplo, a Guerra de Canudos, a Sedição do Juazeiro sobre a égide do Padre Cícero, o massacre no Caldeirão do Beato José Lourenço, a Guerra de Princesa, o Cangaceirismo e tantos outros movimentos político-sociais ocorridos nos sertões do Nordeste Brasileiro. Talvez o Brasil precise criar uma espécie de historiografia nordestina, pois há muito que se pesquisar, estudar e escrever sobre nossa pátria chamada Nordeste. É nesse chão de tantas lutas, revoltas, guerras, suor e sangue, que este trabalho oferece uma pequena e nova contribuição ao estudo da Revolta de Princesa, que foi um movimento armado ocorrido em 1930 no sertão paraibano e que contou com a participação direta de uma parcela de sua população.

Longe de ser um episódio perdido no interior do nordeste, o movimento sedicioso de Princesa chamou bastante atenção, inclusive internacionalmente, como vemos nos meios de comunicação[1] da época e teve uma grande importância para acelerar a revolução de 1930 no Brasil (RODRIGUES, 1981).

[1] Referimo-nos aos jornais A União – PB e o Jornal do Commercio - PE, fontes riquíssimas de informações sobre o ocorrido na Paraíba, apesar de ambos estarem envolvidos diretamente no conflito, mas em lados opostos. No contexto internacional quem noticiou a Revolta foi o jornal norte americano The New York Times, como veremos posteriormente.